É segunda poética
REENCONTRO NO ALÉM
Vagueava no Espaço a pobre mãe suicida,
Apagara, a veneno, a luz da própria vida
Tentando reencontrar o filho que perdera
Em tóxicos letais,
Saudade, ânsia, aflição...
Não suportara mais.
E espírito da sombra, em lágrimas vagueia,
Entre a cegueira e a dor na angústia que a estonteia.
Dias, semanas, meses na loucura
Atravessara, atribulada e errante,
O império do remorso, ante a sombra gigante,
Sem confiança em Deus, infeliz e insegura,
A bradar o estribilho:
- Ah! meu filho, meu filho!...
Até que atormentada, louca e cega
Tateando no Além, eis que se apega
A desditoso irmão, também desorientado,
Que lastimava, em choro, os erros do passado...
Depois de ouvir-lhe os gritos,
O pobre respondeu:
- A senhora clamando é mais feliz do que eu,
Seu coração procura um filho muito amado,
Quanto a mim... quanto a mim,
Quero esquecer a mãe que tive no passado,
Que me repôs aqui, neste inferno sem fim...
E o pobre continuou, desalentado:
Saí daqui, um dia, a fim de melhorar-me,
Ela me recolheu nos braços com carinho...
Vestiu-me e festejou a júbilos e alarme,
O berço em que eu nascia...
A princípio, embalou-me em canções de alegria,
Entretanto, depois,
Na vida mais profunda entre nós dois,
Segregou-me no mundo, em egoísmo atroz,
Para ela, por fim, na ilusão que levava,
A terra éramos nós, o amor somente nós...
Criou-me escravo dela e fez-me minha escrava,
Afastou-me de tudo quanto fosse inquietação ou prova,
Em que me caberia
Acender, dentro em mim, a luz de vida nova.
Transformou-me a existência em longa fantasia
Para que eu fosse,
Desde o a b c da escola,
Um gênio de artimanhas,
Um moço de aventuras e façanhas,
Mas nunca um aprendiz
Que fosse no futuro um homem reto e feliz.
Quando atingi a plena juventude,
Contratou-me instrutores,
Que me ensinassem força, ação, elegância e beleza,
A fim de que, na forma, eu dominasse
Todos os contendores,
Fortes também por leis da natureza...
Deveria, por fim, ver todos muito abaixo,
A minha pobre mãe exigia e exigia
Que eu demonstrasse, em tudo, a excelência de um macho...
Depois, no entanto, veio a derrocada,
O tóxico apanhou-me a preguiça dourada...
Minha mãe jamais quis ensinar-me a sofrer,
Não quis que eu trabalhasse ou prezasse um dever...
Conheci a maldade e os impulsos medonhos
E a morte prematura, arrasando-me os sonhos...
De útil ou de bom nada tenho e nem fiz,
Sou agora, onde estou, um espírito infeliz!...
Ao escutar-lhe a voz e ao conhecer-lhe o nome,
Cai a pobre mulher na angústia que a consome;
Chama o desventurado e arrasta-se-lhe aos pés,
Avançando de bruços,
Ei-la a falar, desfeita em terríveis soluços:
- Agora compreendo...agora sei quem és...
E, em desespero, a voz grita, ante o céu sem brilho:
- Perdoa-me, meu Deus! ... Ah! meu filho, meu filho! ...
O material do setembro amarelo esta caindo no meu colo sem eu nem tentar
Hoje me veio um poema sobre pessoas que partiram da vida esperando encontrar entes queridos,um filho.Também temos algo mais,algo que não fora apresentado nas narrativas da versão dela
A historia do filho me parece tão atual.Uma pessoa que não conhecia o fracasso devido a superproteção.Uma pessoa que não valorizava o melhor da vida por conta de não ter provado do que ela tinha de pior.Um homem que conviveu com uma pressão pra ter sucesso em tudo
Graças aos ensinos de que a vida continua a dor da morte e a saudade da separação amenizam
Graças aos contatos mediúnicos temos o conforto de saberem que estão bem e que nos querem bem
Graças a obras que mostram o que ocorre após o suicídio(ao inves de só excomungarem)fez com que todos tivessem paciência com o tempo de vida
Finalizo lembrando que devemos aceitar a realidade que nós construímos.Temos o que precisamos e não o que queremos