É segunda poética
O doce missionário
(Augusto de Lima)
Sertão hostil. Agreste serrania.
Tendo por companhia
A cruz do Nazareno, humilde e solitário,
Ali vivia Anchieta, o doce missionário,
Carinhoso pastor, espelho de bondade,
Abençoando o bem, perdoando a maldade,
Servo amado de Deus, imitador de Assis,
Que na humildade achara a vida mais feliz.
Naquele dia,
Era intenso o calor.
Ninguém! Nem uma sombra se movia,
Tudo era languidez, desânimo e torpor.
Além se divisava a solidão da estrada,
Amarela de pó, tristonha e desolada.
Na clareira, onde o Sol feria os vegetais,
Viam-se florescer bromélias e boninas,
E, elevando-se aos céus, esguios espinhais
Implorando piedade às amplidões divinas...
Eis que o irmão de Jesus, o humilde pegureiro
Avista um mensageiro.
Dirige-se-lhe a casa,
Pisando vagaroso o chão que o Sol abrasa.
— "Meu protetor — diz ele —, o bom pajé,
Convertido por vós à luz da vossa fé,
Que tem oferecido a Deus o seu amor,
Agoniza na taba, ao longe, em aflição.
Ele espera de vós a paz do coração
E implora lhe leveis a bênção do Senhor."
- "Oh! doce filho meu, que vindes de passagem,
Que Jesus vos ampare, ao termo da viagem..."
E isso dizendo, o pastor prestamente
Toma da humilde cruz do Mártir do Calvário,
Abandonando o ninho agreste e solitário,
Para arrancar à dor o pobre penitente.
Há solidão na estrada,
Ferem-lhe os pés as pontas dos espinhos.
Que penosa jornada,
Em tão rudes e aspérrimos caminhos! ...
Pairam no ar excessos de calor,
Nem árvores umbrosas e nem fontes,
Somente o Sol ferino e destruidor,
Que calcina, inflamando os horizontes.
Eis que a sede o devora;
Entretanto, o pastor não se deplora;
A terna e meiga efígie de Jesus
É-lhe paz e alimento, amparo e luz.
Numa férvida prece,
Ele ainda agradece:
―"Sê bendito, Senhor, por tudo o que nos dás,
Seja alegria ou dor, tudo é ventura e paz.
Eu vejo-te no alvor das manhãs harmoniosas,
No azulíneo do céu, no cálice das rosas,
Na corola de luz de todas as florinhas,
No canto, todo amor, das meigas avezinhas,
Na estação outonal, na loura Primavera,
No coração do bom, que te ama e te venera,
Na vibração dos sons, na irradiação da luz,
Na dor, no sofrimento, em nossa própria cruz...
Tudo vive a mostrar tua pródiga bondade,
Eterno Pai de amor, de luz e caridade.
Abençoados são o Inverno que traz frio
E os calores do Sol nas estações do estio..."
Terminando a sorrir a espontânea oração,
Inspirada em tão santa devoção,
Anchieta escuta em torno os mais sutis rumores.
Eis que nos arredores
Congregam-se apressadas
Todas as avezinhas,
E, asas aconchegadas,
Juntinhas,
Numa ideal combinação
Formam um pálio protetor,
Cobrindo o doce irmão
Que ia ofertar amor,
Luz e consolação,
Em nome do Senhor.
Pelos caminhos,
Foi-se aumentando
O alado bando
Dos bondosos e ternos passarinhos,
Aureolando com amor o Discípulo Amado,
Modesto, casto, humilde e isento de pecado,
Que ia seguindo,
Lábios sorrindo,
Em meiga mansuetude.
O enviado do Bem e da Virtude
Agradecia ao Céu, o coração em luz,
Evolando-se puro ao seio de Jesus.
Chegara ao seu destino. Ia caindo o dia
No poente de paz e de harmonia,
Brilhava nova luz, feita de crença e amor:
Era a bênção dos Céus, a bênção do Senhor
Temos acima um daqueles contos,este contando com uma figura histórica,mesmo que possa ser mais uma homenagem do que um evento que aconteceu.Aqui peregrinar tem um significado maior do que só seguir em festa religiosa
Temos acima um cenário de dificuldades extremas,o que pode significar as dificuldades do mundo ou os desafios do espirito.Em contrapartida a tudo e todos,em postura de desistência,aparece um homem que encara o que o mundo tem a oferecer
Diante as dificuldades,a resposta dada é a paz que Jesus ofereceu em suas lições e exemplo,esta demonstradas com gratidão,simplicidade e humildade no lugar da falta de problemas em si.Ao ver a Deus e suas bênçãos no mundo,mesmo ao que tantos tacham de dor,ele tem paz
Andemos/peregrinemos pelo mundo/vida observando as maravilhas sem julgar,sofrer ou apegar,sendo gratos e aplicando as lições que já conhecemos