É segunda poética
Incognoscível
(Antero de Quental)
Para o Infinito, Deus não representa
A personalidade humanizada,
Pelos seres terrenos inventada,
Cheia, às vezes, de cólera violenta.
Deus não castiga o ser e nem o isenta
Da dor, que traz a alma lacerada
Nos pelourinhos negros de uma estrada
De provação, de angústia e de tormenta.
Tudo fala de Deus nesse desterro
Da Terra, orbe da lágrima e do erro,
Que entre anseios e angústias conheci!
Mas, quanto o vão mortal inda se engana,
Que em sua triste condição humana
Fez a essência de Deus igual a si!
Falar de Deus é algo tremendamente complicado,pois é parte central da fé de quase todos,fé que,geralmente,não é racional e nem aberta a dialogo,infelizmente
Temos,de um lado,a versão de Deus tremendamente humanizada que foi criada Idade Media.Um método de tentar aproximar o divino do humano,visto que,a maioria não entendia bem o "tema da conversa".Mas,foi no sentido errado,não só não ajudando a engrandecer pessoas,como dando entendimento errado e ainda tirando o medo,que era o que mantinha o controle da população
Temos um Deus que não quer que pessoas "rezem do jeito errado",não estejam na "religião errada","que é citado mais ao punir indivíduos e povos do que pra amar e guiar.Quando Friedrich Nietzsche disse "Deus esta morto" ele falava que não havia mais espaço na era que viria a uma entidade vaidosa e de amor próprio frágil,pois o ser humano seria bem mais avançado do que a sociedade que necessitava dele pelo entendimento limitado
De outro lado,temos um Deus mais "transcendente",algo que aparece mais frequentemente em cultos como espirita e umbandista,mas presente em outros de maneira mais isolada pelo entendimento.Aqui não é uma figura física e nem isolada em templos,mas em todos os lugares e pessoas
Neste temos um guia,um mentor,um amigo,um pai e mãe.Alguém que não força,apenas direciona sutilmente com paciência dando inúmeras chances aos erros,nos vendo como crianças limitadas aprendendo
Podemos usar termos complexos,como "Único","Indivisível",Eterno","Infinito",etc...Mas,mesmo estes são limitados pelo entendimento racional que temos e superficiais ao Todo
Temos o oposto da primeira,um pai molenga e que mima,um "Deus vai perdoar" sendo dito frequentemente por gente que não se indireita.Ele não o é,pois pode não ser uma figura de ódio,mas ensina responsabilidade,de que justiça e dever estão em igualdade com amor e perdão
Diria que esta terceira visão,como a primeira,tem pouco espaço na próxima era.Um dos motivos é a limitação de entendimento.O outro é como limita no engrandecimento humano.O ultimo,é que notei como muitas religiões usam deste meramente como método de agradar as massas,algo que não vai longe