segunda-feira, 14 de abril de 2025

O sofrimento

Segunda poética

CONVITE

Se te vês nesta noite,

De alma desencantada e dolorida,

Concentrando a atenção na angústia que te invade,

Medita, coração,

Nos outros companheiros que se vão

Nos caminhos da vida,

Sob as pressões da prova e da necessidade.


Regresso agora de estira giro,

Para buscar-te aqui, em teu doce retiro,

A calma da oração,

Entretanto, alma irmã, se me permites,

Comentarei as dores sem limites,

Da multidão agoniada

Que encontrei na jornada.


Com certeza, já viste

As trevas e aflições de tanto quadro triste,

Mas peço ainda o teu consentimento

A fim de relembrar-te

O vasto espinheiral do sofrimento

Que nos roga socorro em toda parte.


Deixa, enfim, que eu te diga,

Alma fraterna e amiga,

Quanta amargura vi por onde andei...

Vi mães em catres de doença e luta,

Lançando petições que a Terra não escuta,

Pedindo, em vão, a xícara de leite

Para o filhinho semi-morto

Agonizando à míngua de conforto...

Vi outras nas calçadas,

Carregando no colo os anjos de ninguém

Pobres irmãs abandonadas

Aspirando a escalar as alturas do bem.

Acompanhei velhinhos,

Outrora moços de bonito porte,

Tão fatigados, tão sozinhos

Que pediam a Deus a compaixão da morte.

Achei muitos irmãos enfermos e cansados

Em desespero imanifesto,

Sem pensar nas terríveis consequência

Que nascem desse gesto.

Vi crianças, ao léu, com febre e sono,

Relegadas à noite em penoso abandono...

Visitei tanto lar vazio de esperança,

Tantas mansões em lágrimas ocultas

E tanta dor nas choças das favelas,

Que, de fato, não sei explicar, a contento,

Onde há mais solidão e onde há mais sofrimento

Se nas casas mais ricas e mais altas,

Ou nas outras mais tristes, mais singelas...

Por isso venho aqui, alma querida e boa,

Para pedir qualquer migalha,

Em favor de quem chora...


Ama, ensina, trabalha,

Sofre, ajuda, perdoa...

Lá fora, um mundo novo nos espera

Por nossa fé sincera

Traduzida em serviço...


Olvida a própria dor...

Lembra-te disso:

Temos nós com Jesus a obrigação

De esquecer-nos e agir

Para que a paz do bem seja a paz do porvir.

Não te percas em lágrimas vazias

Pensa na força que irradias

Pela fé que Jesus já te consente

Deixa as tribulações e os pesadelos

Que te fazem chorar,

Reflitamos no amor sinceramente,

Anota as provações de tanta gente,

Sai de ti mesmo e vamos trabalhar!...



O poema mostrou sofrimentos do mundo.Chamo atenção de como,após apresentar sofrimentos materiais,tão comuns de serem citados,rapidamente apresentou os internos entre lares abastados,assim mostrando como todos sofrem de algo

A solução foi dada logo após esse aprofundamento quanto ao sofrimento humano,algo que me parece que vai além do mero prato de comida descompromissado que alguns,em seus breves lampejos de virtude,dão

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