Segunda poética
CONVITE
Se te vês nesta noite,
De alma desencantada e dolorida,
Concentrando a atenção na angústia que te invade,
Medita, coração,
Nos outros companheiros que se vão
Nos caminhos da vida,
Sob as pressões da prova e da necessidade.
Regresso agora de estira giro,
Para buscar-te aqui, em teu doce retiro,
A calma da oração,
Entretanto, alma irmã, se me permites,
Comentarei as dores sem limites,
Da multidão agoniada
Que encontrei na jornada.
Com certeza, já viste
As trevas e aflições de tanto quadro triste,
Mas peço ainda o teu consentimento
A fim de relembrar-te
O vasto espinheiral do sofrimento
Que nos roga socorro em toda parte.
Deixa, enfim, que eu te diga,
Alma fraterna e amiga,
Quanta amargura vi por onde andei...
Vi mães em catres de doença e luta,
Lançando petições que a Terra não escuta,
Pedindo, em vão, a xícara de leite
Para o filhinho semi-morto
Agonizando à míngua de conforto...
Vi outras nas calçadas,
Carregando no colo os anjos de ninguém
Pobres irmãs abandonadas
Aspirando a escalar as alturas do bem.
Acompanhei velhinhos,
Outrora moços de bonito porte,
Tão fatigados, tão sozinhos
Que pediam a Deus a compaixão da morte.
Achei muitos irmãos enfermos e cansados
Em desespero imanifesto,
Sem pensar nas terríveis consequência
Que nascem desse gesto.
Vi crianças, ao léu, com febre e sono,
Relegadas à noite em penoso abandono...
Visitei tanto lar vazio de esperança,
Tantas mansões em lágrimas ocultas
E tanta dor nas choças das favelas,
Que, de fato, não sei explicar, a contento,
Onde há mais solidão e onde há mais sofrimento
Se nas casas mais ricas e mais altas,
Ou nas outras mais tristes, mais singelas...
Por isso venho aqui, alma querida e boa,
Para pedir qualquer migalha,
Em favor de quem chora...
Ama, ensina, trabalha,
Sofre, ajuda, perdoa...
Lá fora, um mundo novo nos espera
Por nossa fé sincera
Traduzida em serviço...
Olvida a própria dor...
Lembra-te disso:
Temos nós com Jesus a obrigação
De esquecer-nos e agir
Para que a paz do bem seja a paz do porvir.
Não te percas em lágrimas vazias
Pensa na força que irradias
Pela fé que Jesus já te consente
Deixa as tribulações e os pesadelos
Que te fazem chorar,
Reflitamos no amor sinceramente,
Anota as provações de tanta gente,
Sai de ti mesmo e vamos trabalhar!...
O poema mostrou sofrimentos do mundo.Chamo atenção de como,após apresentar sofrimentos materiais,tão comuns de serem citados,rapidamente apresentou os internos entre lares abastados,assim mostrando como todos sofrem de algo
A solução foi dada logo após esse aprofundamento quanto ao sofrimento humano,algo que me parece que vai além do mero prato de comida descompromissado que alguns,em seus breves lampejos de virtude,dão
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