É segunda poética
Soneto Quisera
(Antero de Quental)
Quisera crer, na Terra, que existisse
Esta vida que agora estou vivendo,
E nunca encontraria abismo horrendo,
De amargoso penar que se me abrisse.
Andei cego, porém, e sem que visse
Meu próprio bem na dor que ia sofrendo;
Desvairado, ao sepulcro fui descendo,
Sem que a Paz almejada conseguisse.
Da morte a Paz busquei, como se fora
Apossar-me do eterno esquecimento,
Ao viver da minha alma sofredora;
E em vez de imperturbáveis quietitudes,
Encontrei os Remorsos e o Tormento,
Recrudescendo as minhas dores rudes.
O engraçado é que teve muita gente que achava que saber do pós vida era o bastante pra ter feito tudo certo ou ter sido gente bem melhor.Vã erro e já dizia Jesus na parábola Lazaro e o rico "sua família já tem os profetas.de que adiantaria que mortos avisassem?"
O que tem de gente hoje dizendo "tem tempo pra mudar/fazer isso","vai ficar tudo bem.Vou ser perdoado por Deus" ou "vou direto pra colônia astral por ser uma pessoa boa".É tudo gente que não se toca da necessidade de esforço e mudança constante pra melhor
Quem conhece a parábola de Lazaro e o rico sabe o que vai rolar depois,pois a descrição do sofrimento vindo da sensação de tempo perdido já foi dita por muitos mentores como a pior que tem,ainda pior do que estadia no umbral,eis o verdadeiro choro e ranger de dentes
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