terça-feira, 26 de maio de 2026

Da lama a luz

É segunda poética


Soneto

(Antero de Quental)

Mais se me afunda a chaga da amargura

Quando reflexiono, quando penso

No mar humano, encapelado e imenso,

Onde se perde a luz em noite escura...


Nesse abismo de treva a bênção pura,

Do espírito de amor ao mal imenso,

Sente o assédio do mal. É o contrassenso

Da luz unida à lama que a tortura.


Mais se me aumenta a chaga dolorida,

Escutando o soluço cavernoso

Da pobre Humanidade escravizada;


Sentindo o horror que nasce dessa vida,

Que se vive no abismo tenebroso,

Cheio do pranto da alma encarcerada! 



É estranho lembrar que somos almas imortais e com perfeição que não conseguimos acessar,especialmente quando enterrados em problemas e diante dos piores criminosos.Pois sim,não somos a lama a qual fincamos as raízes,mas muito mais a flor que vai em direção a luz

Após jornada espiritual,longa e difícil,somos confrontados com a verdade nua e crua de que não somos as identidades que pensamos ser,mas algo maior.Algo que poderia ser muito mais fácil de aceitar se encarado de frente

Essa jornada não é perda de tempo,é o caminho pra encontrar algo grande e inacreditável.uma jornada que permite entender a ignorância do próximo por estar em nós mesmos

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