É segunda poética
Soneto
(Antero de Quental)
Mais se me afunda a chaga da amargura
Quando reflexiono, quando penso
No mar humano, encapelado e imenso,
Onde se perde a luz em noite escura...
Nesse abismo de treva a bênção pura,
Do espírito de amor ao mal imenso,
Sente o assédio do mal. É o contrassenso
Da luz unida à lama que a tortura.
Mais se me aumenta a chaga dolorida,
Escutando o soluço cavernoso
Da pobre Humanidade escravizada;
Sentindo o horror que nasce dessa vida,
Que se vive no abismo tenebroso,
Cheio do pranto da alma encarcerada!
É estranho lembrar que somos almas imortais e com perfeição que não conseguimos acessar,especialmente quando enterrados em problemas e diante dos piores criminosos.Pois sim,não somos a lama a qual fincamos as raízes,mas muito mais a flor que vai em direção a luz
Após jornada espiritual,longa e difícil,somos confrontados com a verdade nua e crua de que não somos as identidades que pensamos ser,mas algo maior.Algo que poderia ser muito mais fácil de aceitar se encarado de frente
Essa jornada não é perda de tempo,é o caminho pra encontrar algo grande e inacreditável.uma jornada que permite entender a ignorância do próximo por estar em nós mesmos
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