É segunda poética
Estranho concerto
(Antero de Quental)
Clamou o Orgulho ao homem: "Goza a vida!
E fere, brasonado cavaleiro,
Coroado de folhas de loureiro,
Quem vai de alma gemente e consumida.
Veio a Vaidade e disse: "A toda brida!
Dominarás, além, no mundo inteiro,
Cavalga o tempo e corre ao teu roteiro
De soberana glória indefinida!...
Mas a Verdade, sobre a humana furna,
Gritou-lhe, angustiada, em voz soturna:
"Insensato! aonde vais, sem Deus, sem norte?"
E impeliu, sem detença e sem barulho,
Cavaleiro e corcel, vaidade e orgulho,
Aos tenebrosos pântanos da Morte.
Começamos o poema com os defeitos,orgulho e vaidade.Eles tem bela descrição de cavaleiro,ate promessas de grandeza material
Diria que as realizações materiais,quando sem profundidade espiritual,meramente enganam em realidade que vive.Se diz "eu mereço" tanto quanto "ainda há tempo",pra enrolar sobre responsabilidades e ate assumir a necessidade de recomeço aonde se vai em direção a verdadeira felicidade
Agora vamos pro aviso do poema,algo interno,provavelmente,consciência.Este já vão avisando do fim que o aguarda,seja a queda vazia que o materialismo costuma dar ou a morte literal
A direção é dada,mesmo quando fingimos não ver ou saber.O resultado final de quem segue a rota que Deus oferece,mesmo que leve a desprezo aos olhos do mundo,vale mais do que ouro passageiro
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