É segunda poética
Carta ligeira
(ALFREDO NORA)
Meu Lasneau, não é bilhete,
Não é oficio, nem ata.
É o coração que desata
Meus pesares num lembrete.
Lasneau amigo, esta choça,
Onde a carne, breve, passa,
Cheia de lama e fumaça,
É minúscula palhoça.
A Terra, ante o sol da Graça,
É feio talhão de roça,
Detendo por balda nossa
Descrença, guerra e cachaça.
Agora é que entendo isso,
Mas é triste a fé sem viço
Que o sepulcro impõe à pressa...
Espere sem alvoroço,
Além da prisão de osso,
A vida real começa.
Oh! meu caro, se eu pudesse
Dizer tudo o que não disse,
Sem a velha esquisitice
Que inda agora me entontece!
Entretanto, é clara a messe
Da sementeira de asnice.
Perdi tempo em maluquice
E o tempo me desconhece.
É natural que padeça
A minha pobre cabeça
Perante a Luz, face a face.
Não me olvide em sua prece,
Desejo que a luta cesse,
Que a coisa melhore e... passe.
Temos acima uma poesia de um homem que morreu e se arrependeu do que disse em vida,de tudo aquilo que professou e defendeu.O choque lhe rende claro ponto de mudança entre cada metade do poema
Eu já disse anteriormente que na morte e mesmo na saída do corpo se dá de cara com a realidade,esta nu e crua no plano espiritual.Ela não se trata apenas da continuidade da vida após o fim da encarnação,como da realidade das escolhas,as quais precisa enlouquecer pra serem negadas
O plano espiritual não faz isso sem motivo,lá é a escola pra quem vai ao plano terreno e a entrega de notas de quem volta ao espiritual.Se trata de um grande ponto de aprendizado,tanto quanto o plano físico,tudo de acordo com o nível consciência do individuo
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