terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Encontrando sabedoria na realidade

É segunda poética


 Carta ligeira

(ALFREDO NORA)

Meu Lasneau, não é bilhete,

Não é oficio, nem ata.

É o coração que desata

Meus pesares num lembrete.


Lasneau amigo, esta choça,

Onde a carne, breve, passa,

Cheia de lama e fumaça,

É minúscula palhoça.


A Terra, ante o sol da Graça,

É feio talhão de roça,

Detendo por balda nossa

Descrença, guerra e cachaça.


Agora é que entendo isso,

Mas é triste a fé sem viço

Que o sepulcro impõe à pressa...


Espere sem alvoroço,

Além da prisão de osso,

A vida real começa.


Oh! meu caro, se eu pudesse

Dizer tudo o que não disse,

Sem a velha esquisitice

Que inda agora me entontece!


Entretanto, é clara a messe

Da sementeira de asnice.

Perdi tempo em maluquice

E o tempo me desconhece.


É natural que padeça

A minha pobre cabeça

Perante a Luz, face a face.


Não me olvide em sua prece,

Desejo que a luta cesse,

Que a coisa melhore e... passe.  



Temos acima uma poesia de um homem que morreu e se arrependeu do que disse em vida,de tudo aquilo que professou e defendeu.O choque lhe rende claro ponto de mudança entre cada metade do poema

Eu já disse anteriormente que na morte e mesmo na saída do corpo se dá de cara com a realidade,esta nu e crua no plano espiritual.Ela não se trata apenas da continuidade da vida após o fim da encarnação,como da realidade das escolhas,as quais precisa enlouquecer pra serem negadas

O plano espiritual não faz isso sem motivo,lá é a escola pra quem vai ao plano terreno e a entrega de notas de quem volta ao espiritual.Se trata de um grande ponto de aprendizado,tanto quanto o plano físico,tudo de acordo com o nível consciência do individuo

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